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De olho na água

14/05/2019


Rio Turvo, Barra do Turvo-SP

Texto e fotos por Marina Vieira

A ideia que dá nome ao projeto Plantando Águas é a de proteger e preservar os recursos hídricos através da adequação ambiental de imóveis rurais. Traduzindo, é cuidar da água dos agricultores, usando as leis ambientais como guia, pois estas mostram como preservar a natureza, em harmonia com as atividades humanas. Um dos instrumentos mais importantes nessa missão é o monitoramento.

Na cidade, o mais comum é receber água vinda de uma estação de tratamento, onde o monitoramento é feito antes dela chegar nas casas e as empresas responsáveis pelo tratamento devem fornecer um relatório da qualidade da água para os cidadãos. Já no campo, muitas pessoas recorrem a sistemas que pegam água diretamente das nascentes ou do lençol freático, como os poços artesianos, e aí é necessário fazer o monitoramento caso a caso. “As pessoas acreditam que água de poço é sempre limpa, saudável e potável, e não é verdade. Muita coisa pode acontecer em volta ou muito longe dessa fonte de água e deixá-la não tão limpa assim”, alerta Aline Zaffani, bióloga e especialista em saneamento do Plantando Águas.

Ela lembra que o que vem do poço é resultado da infiltração da água no solo, e nesse processo ela pode carregar substâncias que estavam na superfície, como fertilizantes e agrotóxicos, e que podem contaminar essa água. E existem ainda os lugares em que as características naturais do solo elevam a concentracao de alguns elementos e tornam a água menos potável. Em alguns lugares, por exemplo, a água tem uma quantidade de alumínio mais de 10 vezes acima do normal, mas não tem nada a ver com ações do homem. Por isso, “é bom que a gente sempre saiba como é a água que estamos consumindo”, diz Aline.

                                     

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Água de nascente coletada e armazenada em caixa d'água no bairro Pinheirinho das Dúvidas, de Barra do Turvo-SP

MONITORAMENTO

Desde a primeira fase do Plantando Águas, que aconteceu de 2013 a 2015, o monitoramento é feito justamente com este intuito de munir as comunidades com informações sobre a qualidade da água de seu entorno. Nesta segunda fase iniciada em 2018, o projeto está coletando e analisando amostras de cinco nascentes e seis rios nas cidades de Araraquara, Barra do Turvo, Cajati, Porto Feliz e São Carlos, e também está acompanhando os resultados de oito fossas biodigestoras econômicas (sistema de bombonas) instaladas no Vale do Ribeira.

Até agora foram feitas duas campanhas de coleta nos rios e águas de abastecimento, e três campanhas para o monitoramento das fossas sépticas. As coletas foram realizadas em julho de 2018, no período seco, novembro de 2018 (apenas fossas) e outra em fevereiro de 2019, durante as chuvas. Natália Pelison, engenheira ambiental que está trabalhando com monitoramento no projeto, explica que é importante ter pelo menos uma amostra de cada período, pois o comportamento dos corpos d’água pode mudar com a presença ou ausência de chuva. Está prevista ainda mais uma coleta no período seco deste ano, que vai permitir uma comparação de um ano das amostras.

Como o tempo e orçamento do projeto limitam a quantidade de análises feitas, a equipe escolheu pontos e parâmetros estratégicos para averiguar. “Escolhemos os dados de acordo com a fonte e o uso mais expressivo daquela água, de forma que eles conversassem com os parâmetros estabelecidos pelo Ministério da Saúde (Portaria MS n. 2914/2011 e Anexo XX da Portaria De Consolidação Nº 5/2017) no caso das águas de abastecimento, e pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Resolução CONAMA 357/2005), no caso dos rios”, justifica Aline.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os rios naturalmente são da classe 1, com água que pode ser usada para consumo e contato direto. A classe 2 significa que tem matéria orgânica, mas numa quantidade também natural, que não é necessariamente ruim. “No 3 a água já não é mais ideal para consumo, mas ainda pode ser usada para recreação”, conta Natália.

Dos rios analisados pelo Plantando Águas, todos atendem os limites para entrarem na classe 2. São estes: o Rio Cedro, no bairro Bela Vista, o córrego Pedra Preta e o rio Anhemas, no quilombo Pedra Preta, todos do município de Barra do Turvo; o rio Lavras, de Cajati; e a mina do assentamento Bela Vista do Chibarro, de Araraquara. As análises também indicam o aumento de alguns parâmetros como DBO (demanda bioquimica de oxigenio), DQO (demanda quimica de oxigenio) e nitrogenio amoniacal durante a temporada de chuva, ressaltando a importância das matas ciliares e do manejo adequado do solo para evitar que grandes quantidades de matéria orgânica e outros componentes sejam arrastados pelo escoamento superficial para dentro dos rios e córregos.

As análises de caixa d’água e poços foram feitas nos bairros Pinheirinho das Dúvidas e Bela Vista, de Barra do Turvo, e no Lavras, de Cajati, e nos assentamentos Porto Feliz, da cidade de mesmo nome, Santa Helena, de São Carlos, e Bela Vista do Chibarro, em Araraquara. Já era esperado que a água não estivesse 100% ideal, por ser captada em locais abertos, em contato com o ambiente. Apesar da qualidade ser boa, em alguns locais foram encon trados parâmetros acima do limite, como alumínio e ferro na água do bairro Lavras e presença de colifor mes totais em quase todos os locais, o que é natural, mas reforça a recomendação de tra tar a água antes de usá-la.

As fossas, por serem adaptações de tratamento de efluentes e, portanto, tecnologias novas, precisam de mais análises para que seja possível tirar conclusões sobre sua eficiência, isto é, o quanto estão tratando o esgoto. No entanto, com os resultados das três primeiras coletas já dá para atestar que o sistema está funcionando. A remoção de DBO, por exemplo, em quase todos os sistemas atinge 80%, que é o exigido pela legislacao (Decreto 8468/76) para um sistema de tratamento de esgoto. “Todas apresentaram melhora em relação à primeira análise. Algumas muito boas, outras boas”, conta Aline.

Para garantir o tratamento do esgoto, é extremamente importante seguir as orientações de cuidado da fossa: garantir que bata sol em cima do sistema, colocar esterco fresco na quantidade e frequência recomendada pelos técnicos, e terminar o tratamento numa vala de infiltração ou círculo de bananeira, para impedir a contaminação de corpos d’água nas proximidades.

Os resultados completos das análises de água e efluente serão entregues às comunidades, com acompanhamento técnico.

SOLUÇÕES

Existem métodos muito simples de desinfecção da água antes de consumí-la. Ferver a água coletada é um deles. A família também pode usar um filtro de barro com vela, que deve ser trocada de tempos em tempos. Outro método bastante barato é o clorador da Embrapa, em que o morador aplica diariamente cloro na quantidade apropriada para matar germes causadores de doenças. No site da Iniciativa Verde é possível baixar um folheto de instruções para o uso do clorador, assim como a cartilha “Água: usos, conservação e monitoramento”, que traz todas as informações relevantes para o cuidado deste recurso indispensável à vida.

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