Iniciativa Verde Árvore

1.604.487 árvores plantadas até agora!

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DEPOIMENTOS

Veja entrevistas e depoimentos exclusivos relacionados às atividades da Iniciativa Verde.

José Manoel Zago: “Quando percebi, já estava morando no campo”

06/08/2015

O biólogo especialista em Gestão Ambiental, que atualmente cursa Agronomia, fez o caminho inverso da maior parte da população brasileira: trocou a cidade pela área rural. Sua história começou com as mudas e floresce difundindo conhecimento

Depoimento a Isis Nóbile Diniz

“Nasci e cresci na cidade de São Paulo – naquele tempo, ainda dava para brincar na rua com os amigos. Aos fins de semana, ia para o interior com meu avó Pedro Zago. Adorava passar o sábado e domingo no sítio. Quando não ia com meus avós, meus pais me levavam e eu sempre retornava para cidade meio triste e esperando voltar no próximo fim de semana ao interior.

Quando me formei no colégio, não sabia direito que curso prestar na graduação. Acabei fazendo Biologia por gostar de natureza e tal. Em 2003, comecei a graduação na Universidade Presbiteriana Mackenzie no campus da Consolação sempre me perguntado: ‘Como poderia estudar a ecologia no meio da Grande São Paulo’.

Durante o curso, me interessei pelas questões ambientais e, quando me formei na graduação, fiz especialização em Gestão Ambiental. Na mesma época, em 2008, um amigo me emprestou um pedaço de terra no município de Mogi das Cruzes (SP) para que eu pudesse montar um viveiro de mudas nativas para a restauração ambiental. Meu pai, José Artur Zago, me ajudou a construir este sonho. Compramos os materiais para a construção, madeira, arame, etc. E comecei a encher o saco dos meus amigos, por quem sou muito agradecido, para irem me ajudar na construção do viveiro.

Um ou dois dias por semana saía de São Paulo com os camaradas rumo à Mogi das Cruzes para dar seguimento à construção. Fiquei dois anos com esse viveiro em Mogi das Cruzes. Nessa época, eu tinha um trailer estacionado ao lado do viveiro, onde acabei morando por esse período.
Em 2009, surgiu a oportunidade de comprarmos uma propriedade. Foi quando acabei conhecendo o município de Piedade (SP). O terreno que compramos não tinha nem água nem luz, havia uma casa que estava abandonada, servindo de depósito para a produção de milho que o antigo proprietário tinha. O solo estava bem maltratado, pois antigamente o terreno era usado na produção de batata. Depois, passou para produção de milho e acabou virando pasto no final.

Sem condições de ficar no sítio, saía de São Paulo todo dia com a roçadeira, uma enchada e um galão de água e pegava a estrada rumo à Piedade, onde passava o dia roçando o terreno, levando biomassa para melhorar aquele solo tão agredido. Aos poucos, comecei a passar a noite. Ficava dois dias, depois três, quatro, cinco... Quando percebi, já estava morando por aqui.

A ideia, quando compramos a propriedade, era continuar com o viveiro de mudas nativas que leva o nome de Viveiro Ka’a Kati (que em tupi significa cheiro de mato ou essência de mata). Mas acabamos diversificando nossa atuação. Entre as atividades realizadas no Sítio Santa Bakhita estão: minhocultura, ovinocultura, cunicultura (criação de coelhos), olericultura (cultivo de hortaliças), fruticultura, cultivo de cereais. Essa agrobiodiversidade tem o intuito de manter um equilíbrio entre natureza e produção agrícola. Isto sempre tentando otimizar os fatores gratuitos de produção para conseguir uma independência de insumos de fora do agroecossistema.

Hoje, morando com minha esposa Danielle e meu filho Cainã, recebemos produtores rurais interessados em conhecer uma agricultura menos agressiva aos recursos naturais e podendo conviver em harmonia com o meio que nos cerca. Há dois anos, comecei a cursar Agronomia buscando me aprofundar na área de produção de alimentos.

Neste ano de 2015, estamos com parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) que realiza, no sítio, o programa de olericultura orgânica com os agricultores da região. A ideia do sítio é consolidar uma unidade demonstrativa em agricultura sustentável e formar um centro de Agroecologia, com o intuito de oferecer cursos de capacitações para agricultores, servindo como um espaço de troca de conhecimento entre agricultores e técnicos. E, quem sabe um dia, ter uma escola agroecológica.

A parceria com a Iniciativa Verde surgiu em 2011, durante o projeto de adequação de imóveis rurais ‘Agricultura Legal – Produzindo Sustentabilidade em Piedade’. Minha propriedade foi uma das contempladas pelo projeto e foi quando comecei atuar como técnico de campo com a equipe da Iniciativa Verde. Hoje, com o projeto Plantando Águas, atuo como técnico pela equipe do Instituto Terra Viva Brasil de Agroecologia, com o trabalho de extensão rural.”

Publicado originalmente na terceira edição da Revista Plantando Águas: http://www.iniciativaverde.org.br/comunicacao-artigos-e-noticias-detalhes/iniciativa-verde-lanca-terceira-edicao-da-revista-plantando-aguas

Pedro Sarro, Diretor de Projeto e Obras da Leroy Merlin

Iniciativa Verde | 11/03/2015

O Mundo é a nossa casa e nada mais natural que a Leroy Merlin ajudar a cuidar dele, assim resolvemos contribuir para a compensação dos GEE através da certificação Carbon Free. Já plantamos mais de 65 mil árvores em parceria com a Iniciativa Verde.

Gisele Sales, analista de recursos humanos do Souza Schneider Pugliese Sztokfisz Advogados

Iniciativa Verde | 11/03/2015

Sempre fez parte da nossa filosofia interna preservar o meio ambiente, e através do projeto conseguimos colocar em prática nossos objetivos. A importância é a conscientização dos colaboradores com a preservação e que todos podem ajudar com pequenas ações no dia a dia, dentro do seu trabalho. As expectativas estão sempre evoluindo dentro do nosso ramo jurídico.

Paulina Chamorro, repórter, coordenadora de projetos e apresentadora das Rádios Eldorado e Estadão.

Iniciativa Verde | 11/03/2015

Entendemos que o papel social de uma empresa de comunicação, vai além de seu cotidiano. Devemos dar exemplos. E o plantio de árvores da mata atlântica vai neste caminho. Coerência com o discurso e ações. A repercussão com os ouvintes da emissora foi fantástica. Eles ficam orgulhosos de fazer parte de um clube: o clube das pessoas preocupadas com as cidades e a sustentabilidade.

As expectativas foram totalmente atingidas. O selo carbon free esta na assinatura de todos nosso funcionários, fazemos divulgação nas redes sociais e colocamos em todos nossos projeto esta divulgação, sempre na expectativa de inspirar mais pessoas a fazer o mesmo.

As emissora do Grupo estado tem tradição de mais de 3 décadas difundindo informação ambiental para seus ouvintes. A compensacao voluntária com plantio de arvores vem referendar este compromisso que temos com os ouvintes, com a cidade, e com a sustentabilidade.

Mateus Corradi, diretor de marketing da Florense

Iniciativa Verde | 11/03/2015

A Florense assumiu compromisso formal com a sustentabilidade desde 1994, muito antes de esta atitude tornar-se objeto de atenção em larga escala por parte de empresas, entidades e pessoas em particular.

Por conta disso, a Florense foi pioneira entre as fábricas de móveis da América Latina na conquista do certificado de gestão ambiental ISO 14001, obtido em janeiro de 2001.

A participação neste magnífico projeto da Iniciativa Verde, portanto, é uma evolução natural das ações de preservação do meio ambiente e da qualidade de vida, para as quais nossa empresa está permanentemente aberta.

A importância deste projeto é contribuir de forma efetiva, palpável, para que nossas ações em relação à sustentabilidade tenham resultados reais e possam ser visualizadas por todos, funcionando como propulsora de outras ações que se abrem em leque, por seu efeito motivacional cada vez maior sobre todas as pessoas, empresas e instituições que veem nessa atitude um meio de também contribuir em favor desse objetivo comum.”

Mateus Agostini, marketing da Pousada dos Sonhos

Iniciativa Verde | 11/03/2015

A sustentabilidade sempre foi uma preocupação da Pousada dos Sonhos, desde sua inauguração. Esses valores socioambientais foram passados pelos proprietários da Pousada, e acabaram sendo incorporados por toda empresa. Sempre com a consciência de que se pode e deve fazer mais pelo ambiente no qual a empresa está inserida. Conhecemos o projeto Carbon Free, que além de passar credibilidade e seriedade, era uma forma de fazermos algo mais efetivo e eficaz. Estamos muito contentes e satisfeitos em saber que conseguimos diminuir o impacto de nossas atividades no meio ambiente.

Gabriel de Freitas Queiroz, sócio da Queiroz & Meirelles Advogados

Iniciativa Verde | 11/03/2015

O que nos motivou foi a possibilidade de aliarmos o nosso pensamento voltado ao desenvolvimento empresarial com a preservação do meio ambiente por meio da compensação do carbono emitido. Nós do Queiroz & Meirelles Advogados temos prazer e orgulho de participar da iniciativa, passo importante para a construção de uma sociedade pautada no desenvolvimento sustentável. Damos especial atenção à questão ambiental, sendo que o projeto "Carbon Free" tornou-se peça fundamental na consolidação dos padrões éticos no cerne da empresa, especialmente na manutenção de um meio ambiente saudável. As expectativas foram atingidas!

Rosemary Panossian, diretora da Confiancelog

Iniciativa Verde | 11/03/2015

Existe na empresa um conjunto de esforços para a sustentabilidade. Aproveitamento de água da chuva, não utilização de energia nos momentos de pico, reciclagem de tudo que é possível reciclar e aproveitamento total de suprimentos.

Raquel Archas, coordenadora de marketing da Arval Brasil

Iniciativa Verde | 11/03/2015

O Carbon Free é nosso principal projeto de CSR (termo usado internamente para representar a Responsabilidade Corporativa Socioambiental). As expectativas em relação ao projeto foram atingidas e isso pode ser provado pela renovação anual do selo Carbon Free. Nossa motivação é a preocupação com a sustentabilidade e manutenção do meio ambiente.

Flávio Marchesin: "Eu vivo de plantar árvores"

Iniciativa Verde | 05/02/2014

Sem conhecer as técnicas, ex-agricultor começou sozinho a recompor terra desmatada pela família para cultivo. Até que, vendendo etiquetas, descobriu que a Iniciativa Verde procurava área para reflorestar. Florescia, assim, o agente ambiental.

Depoimento a Isis Nóbile Diniz

“Só eu sei a dificuldade que passei para conseguir chegar até aqui. Foi plantando árvores que tirei o pé da lama. Sustentava a minha família quando morava só minha mãe e eu e, depois, minha mulher e meus três filhos e o que sobrava investia no Sítio São João, em São Carlos (SP), que meu pai deixou para meus dois irmãos e eu – as outras três irmãs preferiram ficar com a casa da cidade. Sempre tive certeza de que ia dar certo.

Havia alguma coisa dentro de mim que mostrava o caminho. No sítio, consegui construir a biblioteca ambiental; fiz o quiosque para receber estudantes, principalmente, de escolas do ensino fundamental e ensino médio; reformei uma casa que dá para anteder até 50 pessoas almoçando; e, agora, estamos fazendo a sala do Centro de Educação Ambiental (CEA) por meio do projeto Plantando Águas, patrocinado pela Petrobras.

Meu principal sustento vem do plantio de árvores de mata atlântica que faço para a Iniciativa Verde. Até o fim de 2012, plantei 40 mil mudas só pela organização. Também produzo mudas nativas com as sementes do sítio para esses plantios, cerca de 20 mil por ano, e algumas vendo ou doo. Meu trabalho de plantar árvores começou na terra onde São Carlos nasceu.

Agricultura

Meu pai, Vitório Marchesin, comprou o sítio em 1972 graças à venda de uma grande safra de tomate. O sítio pertencia à Fazenda Pinhal, onde a cidade nasceu. Quando meu irmão mais velho (hoje com 65 anos, tenho 48) viu a cachoeira no rio que corta o sítio, percebeu que seria um lugar que iria durar, pois teria água para usar na produção. Antes disso, meu pai era meeiro: o fazendeiro tinha terra, meu pai plantava e dividia a produção com o dono. O sonho do meu pai era ter um pedaço de terra para produzir, construir e deixar para os filhos. Em 1977, aos 57 anos, ele faleceu com o desejo realizado. Eu tinha sete anos.

O sítio de 14 hectares – já teve o dobro, mas tivemos que vender parte para pagar as dívidas do negócio de vender leite que não deu certo – não tinha estrutura nenhuma, nem energia. Meu pai precisou desmatar perto do rio (a mata ciliar) para plantar arroz, milho e feijão. Na área mais plana cultivava tomate. Tinha criação de galinha e porco, para comermos carne. O excedente trocava por óleo, açúcar, sal. Não havia nem moeda na cidade. Depois da escola, ia para o sítio ajudar no trabalho. As árvores, na época, não tinham o valor de hoje. Quando meu pai desmatou, nunca achou que a água ia acabar. Além disso, todos os vizinhos estavam cortando as árvores.

Empenho

Aos 14 anos, trabalhei na produção de uma fábrica, pois no sítio não conseguia ter renda. Na década de 1980, era mais barato comprar o saco de arroz do que produzir em pequena escala. Minha família começou a investir na horticultura diversificada. Se não vendia uma hortaliça, vendia-se outra. Após passar um tempo longe do local jogando bola e recuperando minha infância, quase todo fim de semana ia ao sítio, pois já estava acostumado.

Até que, em 1998, começaram as obras do Gasoduto Bolívia-Brasil cortando o sítio. Fiz um acordo com os engenheiros da Petrobras: se cavarem um tanque para criar peixe, deixo guardar as máquinas no sítio. Ao mesmo tempo, fiz graduação de administração de empresas para me manter no cargo de Planejamento e Controle de Produção. Foi difícil, tinha que trabalhar para pagar a faculdade e sustentar minha mãe. Troquei de emprego: vendia produtos agropecuários para ter mais tempo para estudar. Graças a essa loja, comecei a me envolver mais com a parte rural conhecendo os produtos.

No início, queria criar peixe para pescar com meus amigos, mas depois virou negócio. Coloquei no tanque mil tilápias-vermelhas. Mas as aves comeram metade, só sobraram 500! O jeito foi criar tilápia-do-Nilo, menos visível às aves. Reinvestindo o dinheiro, consegui ter quatro tanques. Comecei a tomar gosto e vi que tinha chance de sobreviver do sítio. Construí dois quartos para passar o fim de semana com minha esposa e meu primeiro filho (também para alugar), me casei em 2000. Vendia a produção no Ceasa (Central de Abastecimento).

Meio ambiente

Viajando em Santa Rita do Passa Quatro (SP), ouvi na rádio o professor Antonio Pereira de Novaes, da Embrapa, falando da fossa que tratava o esgoto dando um excedente que era um excelente adubo. ‘Como as fezes vão virar adubo?’, não entendia bem, mas conversei com o Wilson Tadeu Lopes da Silva, que o representava, para pegar dica de como fazer. Não queria meus filhos nadando no rio com esgoto. Minha mulher, grávida, me ajudava nos afazeres para tocar o sítio.

Acho que tinha alguma coisa dentro de mim despertando. Gostava muito de plantar árvores, queria ver o rio bonito. No Dia do Meio Ambiente, cinco de junho, pegava cinco mudas doadas de ipê, peroba, jequitibá para plantar na mata ciliar do rio que estava erodindo. Os buracos começavam a carregar o material do solo para o rio! Não sabia que existia árvore pioneira, não pioneira... Não sabia que tinha todo esse universo de plantas. Minha mãe falava que eu estava fazendo a coisa errada, que tinha criança para cuidar.

Com emprego novo, trabalhava vendendo etiquetas de segurança para eletrônicos. Era autônomo: se não vendesse, não ganhava. Um dia, vendendo etiqueta em uma empresa de informática, um sobrinho meu apareceu: ‘Tio, como está lá no sítio? Plantando muita árvore’? ‘Quando dá’, respondi. O Ivo, que estava me atendendo, era amigo do Osvaldo Stella, um dos fundadores da Iniciativa Verde, que atualmente trabalha no Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM). O Ivo avisou que amigos de São Paulo estavam fazendo o trabalho de sequestro de carbono. Nunca tinha ouvido falar sobre esse tipo de sequestro!

Na mesma noite liguei para a Iniciativa Verde, mas o telefone ficou mudo. ‘O cara está na capital, nem deve se preocupar com isso’, pensei. Depois, falaram que acabou a bateria do telefone. O Beto (Roberto Strumpf), da Iniciativa Verde, visitou o sítio, gostou e disse que daria muda de árvore, adubo, calcário e roçadeira. De graça! Só bastava eu entrar com a mão de obra e cuidar das árvores. Ele ensinou como fazer e deu 3.600 mudas, em outubro de 2006.

Apesar de o sítio ser pequeno, já havia área suficiente para plantar hortaliça. O pessoal da imprensa começou a vir ao sítio, fazer entrevista! Comecei a aprender sobre meio ambiente, mas ficava de lado nas rodinhas de conversa do pessoal da Iniciativa Verde e outros parceiros como a Embrapa. Eu não entendia o que falavam.

Educação ambiental

Mesmo assim, fui à Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR) procurar uma pessoa para me ajudar a fazer projetos voltados à educação ambiental. Cheguei até a professora Odete Rocha, orientadora de doutorado do Magno Castelo Branco (hoje, coordenador do projeto Plantando Águas em São Carlos). Assim, descobri que o rio que passa pelo sítio, o Ribeirão Feijão, abastece a maior parte da cidade. Sabia que ele era importante, mas não tanto!

Com ajuda dela e do Colégio São Carlos, em 2008, recebi a primeira turma de estudante para aprender sobre meio ambiente no sítio. Fiquei apaixonado. É um prazer as pessoas conhecerem o que você fez e mostrar a importância desse trabalho! Levei minha entrevista sobre o trabalho no sítio ao EPTV, da Rede Globo, à professora Odete. ‘Se todos fizessem isso, o mundo seria diferente’, disse a professora. Depois, ouvi essa frase milhares de vezes, mas a primeira vez a gente não esquece! Detalhe: ela viu a fita no computador do Magno.

Fiz o curso de extensão de educação ambiental de seis meses – aguardei sobrar uma vaga para mim. Só tinha engenheiro disso, engenheiro daquilo frequentando. No primeiro dia, todos se apresentaram e eu fiquei sem graça, quieto. Quando chegou a minha vez, contei a minha história. No intervalo, todos vieram conversar querendo saber mais! Foi, aí, que percebi que estava no meio do negócio, e não de fora.

Com o curso, aprendi o que era falado naquelas conversas de rodinha: mais fácil do que imaginava. Depois, cursei pós-graduação em gerenciamento ambiental. Procurei parceria no Centro de Divulgação Científica e Cultural da Universidade de São Paulo (USP). A Andreia Nasser Figueiredo e a Aline Zaffani começaram a trabalhar fazendo monitoria no sítio. Agora, recebemos estudantes de escolas públicas estaduais, da prefeitura e privadas. Eram mais de quatro mil visitas por ano! Reduzimos para menos de três mil para evitar degradar o local.

Floresta

Até 2009, plantava pouca árvore, cerca de cinco mil por ano. Precisaria de mais para viver. Por volta de 2010, a Iniciativa Verde pediu que conquistasse produtores para plantar árvores. Comecei pelos vizinhos. Como diziam: ‘Dava uma inveja boa ver as árvores em volta do rio’. Nunca forcei nada, eles percebiam que estavam fazendo algo bom. Sozinho, eu planei 12 mil árvores nas vizinhas Fazenda Pinhal e Yolanda! Com mais de oito mil árvores por ano, ficou bom o retorno. Hoje, seu Valentim, de 67 anos, me ajuda. Um dia ele perguntou: ‘Precisa ser tão bem feito assim? É só uma árvore’!

A vida nunca foi fácil. Eu vibrava quando conseguia um cliente ao vender etiquetas. Agora, devo ser um bom vendedor de árvore! Tenho tanto serviço que perco trabalho por falta de gente me ajudando. Plantar árvore é como plantar alface, café, rosa. Se você preparar errado o solo, não terá sucesso na plantação. Já me decepcionei com pessoas que fizeram o trabalho de qualquer jeito.

Nada mais me aperta. Não tenho mais medo de falar, de expor quem sou. Hoje estou com a roupa limpa, tem dia que estou com ela suja. Não tenho vergonha disso. Na minha agenda de 2010, eu tinha escrito: insistir, persistir e nunca desistir. A Andreia ajudou na correção do meu trabalho de conclusão de curso da pós, eu tinha dificuldade com as referências, e escreveu a frase do Guimarães Rosa: ‘A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem’.”

 

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