Nosso compromisso é compensar emissões de gases do efeito estufa (GEE) emitidos por atividades do homem – do simples ato de dirigir um carro aos mais sofisticados processos industriais – com o plantio de árvores em matas ciliares que estão à espera de reflorestamento. As árvores absorvem carbono da atmosfera e preservam o solo, a água e a biodiversidade.


1) O que pode ser compensado?

Produtos, serviços, eventos, empresas, pessoas físicas. Veja aqui alguns exemplos de projetos.

2) Como é calculada a emissão de gases do efeito estufa (GEE)?

A Iniciativa Verde produz um inventário de emissões de gases do efeito estufa (GEE) a partir de diversos dados, como o consumo de energia elétrica e de combustíveis no transporte.. Este inventário é elaborado tendo como base o GHG Protocol que é uma norma internacional para a realização de inventários de emissões de gases de efeito estufa. Para converter o consumo de energia elétrica e de combustíveis em emissão de dióxido de carbono utilizam-se fatores de emissão de GEE (aprovados pela ONU), que determinam a quantidade de CO2 equivalente* liberado em uma determinada atividade. Esses parâmetros são os mesmos utilizados no desenvolvimento de projetos no âmbito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo previsto no Protocolo de Quioto.

* Medida que permite normalizar o potencial de contribuição ao efeito estufa dos diversos tipos de gases emitidos pelas atividades humanas.. Por exemplo, o potencial de aquecimento global do metano é 21. Isto significa que a emissão de uma tonelada de metano é equivalente a emissão de 21 toneladas de dióxido de carbono. O número de árvores a serem plantadas para compensar as emissões de GEE é então calculado em CO2 equivalente (CO2e) para que a emissão dos demais gases de efeito estufa também possam ser contabilizadas e compensadas.

3) Como as árvores absorvem dióxido de carbono (CO2)?

Na fotossíntese, que é o processo que permite o crescimento das árvores e o acúmulo de biomassa, as árvores absorvem CO2 e liberam O2 fixando o carbono (C) nos troncos, galhos, folhas e raízes. Este carbono fica aprisionado ali até a morte natural da árvore ou até que seja cortada e queimada

4) Como a emissão de CO2 equivalente é convertida em árvores?

O CO2 absorvido da atmosfera é armazenado na forma de biomassa através da fotossíntese. Em uma árvore adulta aproximadamente 50% de sua massa é biomassa, a outra metade é água (este valor é um valor médio uma vez que esta relação está vinculada a densidade da madeira, árvores de madeira mole, crescem mais rápido, morrem mais rápido e possuem densidade menor que as árvores de madeira mais densa que crescem mais devagar por mais tempo e absorvem mais carbono). A quantidade de biomassa, descontada da quantidade de água que ela contém é chamada de matéria seca, em termos de massa metade da massa de matéria seca é carbono. Através de estudos de campo foi determinado, para um hectare de mata ripária nativa qual é a área basal encontrada. Para determinar a área basal de uma árvore a circunferência na altura do peito (a um metro e meio do chão) é medida e a área é calculada, a somatória das áreas basais de todas as árvores fornece a área basal por hectare.

Utilizando equações alométricas ( que relacionam a área basal com o volume de uma árvore), é possível determinar o volume de biomassa em um hectare e através das relações de densidade e teor de carbono é possível determinar a quantidade de carbono estocada em um hectare. Sabendo-se o número médio de indivíduos por hectare, que é de 1.660 é possível estimar a quantidade de carbono por árvore. Finalmente, para converter toneladas de carbono em toneladas de CO2 utiliza-se o fator de 3,6 que é a relação entre a massa molecular do carbono e a do CO2.

Para isso usa-se a seguinte equação:

N = (Et / Ff) x 1,2

Onde:

N – número de árvores a serem plantadas

Et – emissão total de GEE estimada no Inventário de Emissões (tonelada de CO2 equivalente ou tCO2e);

Ff – fator de fixação de carbono em biomassa no local de implantação do projeto (tCO2e/árvore)*

1,2 – Fator de compensação a perdas naturais.*

* Este fator de fixação de carbono (0,19 tCO2e/árvore) é decorrente da aplicação do modelo de biometria utilizado junto aos projetos de MDL florestal para floresta estacional semi decidual em um ambiente com pluviometria média anual de 1700 mm, considerando-se os reservatórios de biomassa viva (troncos e raízes).

* Este fator representa o plantio de 20% a mais de árvores para garantir eventuais emissões decorrentes do processo de restauro tais como transporte de mudas e utilização de fertilizantes..

5) Onde as árvores são plantadas?

Em Áreas de Proteção Permanente (APPs) nas matas ciliares do Estado de São Paulo, numa parceria com o Banco de Áreas do Projeto de Restauro de Matas Ciliares da Secretaria Estadual do Meio Ambiente de São Paulo..

6) Por que nessas áreas?

Ao optar pelo plantio de árvores em uma região de proteção ambiental que se encontra degradada, mais do que fixar carbono, colabora-se para o restauro de uma área, no caso, de matas ciliares, que oferece um pacote de serviços ambientais que incluem preservação dos recursos hídricos, do solo e da biodiversidade local e regional.

O Estado de São Paulo, de acordo com o último levantamento realizado pela Fundação Florestal, possui 3,3 milhões de hectares recobertos por vegetação nativa, o que representa 13,4% da área total do Estado (Barbosa, 2000). A vegetação remanescente está distribuída de forma heterogênea, concentrando-se nas áreas de maior declividade, na Serra do Mar, e nas unidades de conservação administradas pelo poder público. Vastas áreas encontram-se praticamente desprovidas de vegetação nativa e a situação em relação às matas ciliares é especialmente preocupante.

Levantamentos realizados pela Fundação Florestal apontam que a extensão de áreas marginais a cursos de água sem vegetação ciliar chegam a mais de um milhão de hectares. Apenas para recuperar essas áreas seria necessário produzir, plantar e manter algo em torno de dois bilhões de mudas. Embora o código florestal atente para o problema, a questão financeira ainda impede que essas áreas sejam recuperadas. Neste sentido, a Iniciativa Verde, em parceria com aqueles que decidam compensar suas emissões de carbono com plantio de árvores nessas regiões, contribui para o restauro destas áreas.

7) Como vou ter certeza de que as árvores foram plantadas?

Em nosso site é possível encontrar as fotos dos restauros florestais, assim como as coordenadas geográficas do local de plantio. Todos os parceiros da Iniciativa Verde são convidados para a cerimônia de início dos plantios e recebem um certificado com a quantidade de árvores plantadas e as coordenadas geográficas do local de plantio.

8) O plantio é monitorado?

Sim. Para garantir o sucesso do restauro florestal e, conseqüentemente, a fixação do carbono, o projeto de restauro dura trinta meses, tempo suficiente para que as mudas atinjam tamanho suficiente para vencer as gramíneas invasoras. Após esse período, devido ao caráter legal das regiões reflorestadas, (Áreas de Preservação Ambiental - APPs), o local segue monitorado pela Polícia Florestal e por órgãos ambientais estaduais como o Departamento Estadual de Proteção dos Recursos Naturais (DEPRN), uma vez que o corte destas árvores será considerado crime inafiançável perante a legislação ambiental brasileira.

Além disso, as áreas reflorestadas são monitoradas pela Iniciativa Verde via imagens de satélite durante todo o período em que as árvores estiverem absorvendo a quantidade de CO2e que se deseja compensar com o plantio, ou seja, por cerca de 40 anos. Utiliza-se também a metodologia para projetos de reflorestamento de áreas degradadas AR-AM0001 [PDF] aprovada e revisada pelo conselho executivo da UNFCCC, sigla em inglês para Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima. Esta metodologia inclui ações como: 1) verificar a sobrevivência das mudas plantadas três meses e três anos após o plantio - se a taxa de sobrevivência for inferior a 90%, realizar o replantio, 2) certificar-se permanentemente da sobrevivência das árvores através de amostras; 3) eliminar as ervas daninhas, que atrapalhem o desenvolvimento das árvores; 4) realizar uma pesquisa de amostragem suplementar para coletar dados como número, espécies e diâmetro das árvores existentes e sinais de intervenção humana como pastagem, queimadas, derrubada e corte de madeira.

9) Posso fazer a compensação por conta própria?

Sim. Neste site, você encontra a calculadora verde. Nela, você preenche dados como gasto de energia elétrica, gás e combustíveis e calcula sua emissão anual de CO2 equivalente. Ou seja: qualquer pessoa pode calcular sua emissão de gás carbônico e plantar, por conta própria, as árvores para compensá-la. Esta é uma atitude que a Iniciativa Verde incentiva. Aqui você também encontra uma extensa tabela com as principais espécies de árvores de Mata Atlântica e dicas para plantá-las.

10) Qual o benefício de fazer a compensação por meio da Iniciativa Verde?

Por serem plantadas em áreas de proteção ambiental que se encontram degradadas, mais do que fixar carbono e contribuir para desacelerar o aquecimento global, colabora-se com o restauro de matas ciliares, ou seja, vegetação no entorno de rios, o que oferece um pacote de serviços ambientais que incluem preservação dos recursos hídricos, do solo e da biodiversidade do local.

A Iniciativa Verde prioriza as espécies do ecossistema da região do plantio, pois estas terão muito mais oportunidade de adaptação ao ambiente, além de garantirem a conservação da diversidade regional. Também considera o número de árvores por hectare e a diversidade de espécies (são cerca de 80), o que é fundamental para os bons resultados de um projeto de reflorestamento.

O crescimento das mudas é monitorado diretamente por dois anos - o que garante seu desenvolvimento, já que existe uma perda média de 10% durante um plantio. Nestes casos, é feito o replantio até que seja atingido o número de mudas calculado.

A Iniciativa Verde também contribui para o estímulo da economia local ao realizar parcerias com cooperativas e organizações da região onde ocorrem os plantios.

11) Como a recuperação de matas ciliares contribui para a preservação dos recursos hídricos, do solo e da biodiversidade?

Em locais onde a mata ciliar foi suprimida, o entorno do corpo de água é alterado e, conseqüentemente, as propriedades físicas e químicas da água (tais como pH, temperatura e turbidez) são modificadas. Essas mudanças afetam diretamente as populações que estão, de alguma maneira, ligadas a esse curso d´água. As matas ciliares criam “corredores verdes” por onde as espécies animais podem circular, colaborando para a dispersão e conseqüente variabilidade genética destas. Por isso, a ausência da mata ciliar é de grande prejuízo para a biodiversidade local e regional. A mata ciliar também ajuda a reduzir a erosão. Ela funciona como um obstáculo para a água das chuvas que carregam sedimentos, diminuindo o acúmulo deles nos rios. Para as populações aquáticas, o aumento da turbidez e da concentração de sedimentos num rio pode representar desde um obstáculo para conseguir alimento até a interrupção do ciclo reprodutivo. Para uma comunidade de moradores rurais, o assoreamento pode representar, em última instância, a falta de água

12) Quanto tempo leva o processo de emissão do selo Carbon Free?

Depois que a Iniciativa Verde recebe o levantamento prévio de emissões preenchido leva cerca de uma semana para as informações serem processadas e se chegar ao número de árvores a serem plantadas e, conseqüentemente, ao custo final do projeto para o recebimento do selo Carbon Free. Esta primeira etapa geralmente é feita sem custo para o cliente. O desenvolvimento de modelos de levantamento prévio de emissões de gases de efeito estufa é cobrado apenas nos projetos inéditos e de maior complexidade, que demandam tempo considerável dos especialistas. O custo do projeto é referente ao plantio, manutenção e monitoramento das árvores, e inclui também a taxa operacional da organização. O prazo de execução dos restauros florestais é de aproximadamente 30 meses. Uma vez aprovado o custo, é firmado um contrato de serviço técnico que detalha as normas de uso do selo, que já pode ser utilizado logo após a assinatura do contrato e tem validade de acordo com o contrato.


Mapa do site